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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Actividade: Reinventa da História de Espinho através de um Documento de Arquivo - Mês de FEVEREIRO


Actividade permanente do Serviço Educativo - Reinventa a História de Espinho através de um Documento do Arquivo

****DOCUMENTO DO MÊS DE FEVEREIRO: Acta da Vereação relativa à morte do Dr. Manuel Laranjeira. Livro de Actas da Vereação nº5 - 10/10/1910 a 24/04/1912. Acta nº8 de 1912. páginas 176, 176v e 177****

Objectivo:
Incentivar os participantes a recontar a história do documento.

Actividade:
Escrever um conto, um poema, fazer uma ilustração. Os trabalhos apresentados serão alvo de um concurso. O prémio será constituído pela publicação do trabalho na revista municipal Quadrícula.

Destinatários: Alunos do 2º e 3º Ciclos
Prazo de envio - 28 de Fevereiro de 2009
O trabalho deverá conter: nome, idade, ano escolar e escola que frequenta.
E-mail para envio do trabalho: arquivo.municipal@cm-espinho.pt


Pensando nas conferências do dia 24 de Fevereiro - «3Décadas.3Visionários», a Actividade «Reinventa a História de Espinho através de um Documento do Arquivo», relembra a morte de um dos 3 Presidentes da Câmara a serem tratados durante as conferências, Manuel Laranjeira.
Faz no dia 22 de Fevereiro de 2009, 97 anos que o Doutor Manuel Laranjeira morreu.

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Acta de Pesar pela Morte do Dr. Manuel Laranjeira

«Acta da Sessão Ordinária da Câmara Municipal do Concelho de Espinho efectuada em 28 de Fevereiro de 1912

Aos vinte e oito dias do mês de Fevereiro de mil novecentos e doze, segundo ano da República, neste concelho de Espinho e sala das sessões da Câmara Municipal […].

Pelo Presidente foi dito que devia referir-se a dois factos, ambos recentes: um que a todos alegra – a reintegração do Senhor Doutor Joaquim Pinto Coelho, nas funções de administrador deste concelho onde tem manifestado o seu talento e amor pelo Concelho que administra. […]. O outro facto, é muito doloroso: a morte do Doutor Manuel Laranjeira, ilustre presidente desta Câmara, um bom português que honrava a sua Pátria e era o orgulho da terra onde nasceu. […] propõe que na acta desta sessão fique exarado um voto de profundo sentimento, e de nada mais se trate como demonstração de sentimento.

O senhor administrador do Concelho (Joaquim Pinto Coelho) diz que em primeiro lugar agradece as palavras de louvor que o Presidente da Câmara (Avelino Vaz) acaba de lhe dirigir […]. Depois refere-se à morte do Doutor Manuel Laranjeira e com palavras de saudade exalta as virtudes do ilustre extinto de cuja iniciativa muito havia a esperar, associando-se também às demonstrações de pesar expressos pela Câmara.

Nesta altura foi apresentado e lido um telegrama do Senhor António Montenegro dos Santos expedido de Lisboa, no qual declara associar-se comovidamente a todas as manifestações de sentimento que a Câmara hoje faça pela morte do seu saudoso presidente. […]»
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Jornal «Gazeta de Espinho» de 25 de Fevereiro de 1912:
«Na noite de Quinta-feira última (22), cerca das 23 horas, faleceu Dr. Manuel Laranjeira.
Martirizado por horrível e desesperante sofrimento, o Dr. Manuel Laranjeira pôs termo à existência, desfechando um tiro de revólver na cabeça:
O trágico desastre desse drama acidentado da vida de Manuel Laranjeira, deixou nos seus amigos, a nota contristadora de uma tremenda catástrofe.
É Indizível o espírito de consternação e lacinante mágoa que a todos foi transmitida. É que, de facto, apesar de o julgarmos perdido, animava-os ainda a longínqua esperança de o ver vivo, entretendo-nos com a alegre convivência da sua palestra instrutiva, amena e erudita.
A «Gazeta de Espinho», a que Manuel Laranjeira prestou, por vezes, a sua colaboração desinteressada, este periódico que deve ao Dr. Manuel Laranjeira o inolvidável serviço da sua solidariedade franca no momento crítico de perseguição, veste-se hoje de luto e lamenta, com sincera dor, a perda irreparável do amigo, do correligionário dedicado.
É a modesta homenagem devida sem favor, a um grande coração e a um grande espírito, ao homem que, além de patriota convicto, se extremava por afeição, mui afectiva e sentimental, a esta praia de Espinho.
A hora de emoção, nem nos deixa livre e pensamento, nem nos sobra a firmeza de ânimo suficiente para traçar agora o perfil, sequer, do médico, do publicista e literário, místico e poeta que foi Manuel Laranjeira.
A «Gazeta de Espinho», em especial número dará aos seus leitores, outra oportunidade, a medida do valor moral e intelectual do nosso saudoso extinto.
Neste momento consigna apenas o seu preito de saudade.
As honras fúnebres tributadas ao malogrado Dr. Manuel Laranjeira revestiram a simplicidade modesta que também guardava ao seu feitio despretensioso. Assim julgaram os seus amigos interpretar fielmente a sua última vontade. Ele quis ser sepultado em Espinho, em campa rasa.
Pelas dezassete horas de sexta-feira, pôs-se em marcha o préstito fúnebre, da casa da habitação para o cemitério. Cortejo meramente civil. Apesar de não serem feitos convites, ali vimos a maior parte dos amigos, alguns do Porto, que vinham prestar esta derradeira homenagem ao saudoso extinto. Viam-se representadas corporações e entidades de Espinho, Câmara e Junta de Paróquia, Centro Democrático, clubes e grémios recreativos, médicos, negociantes, operários e industriais, fechando o préstito a corporação dos Bombeiros Voluntários.»

Alguns dados sobre Manuel Laranjeira:
-Nasce em Mozelos no em 1877.
-Morre a 22 de Fevereiro de 1912, com 35 anos – suicida-se com tiro na casa da Rua 19.
-Termina o curso de Medicina em 1904.
-Foi escritor, poeta e pensador.
-Foi Presidente da Câmara de Espinho entre 03-08-1911 e 02-10-1911
-Colaborou com o Teatro Português, na Revista Musical, no Porto Médico, nos serões e Ilustração Transmontana.
-Era amigo de Amadeu de Souza Cardoso (pintor); Miguel Unamuno (Reitor da Universidade de Salamanca); António Carneiro (pintor)

Curiosidade:
Têm um busto (estátua) em bronze, junto à Escola Dr. Manuel Laranjeira, do autor Manuel Dias.


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Ideias para o Trabalho:

* Escreve uma carta a Manuel Laranjeira;
* Desenha Manuel Laranjeira, tal como fez Souza Cardoso;
* Escreve um Poema tal como Manuel Laranjeir;
Acima de tudo deixa a imaginação surgir e diverte-te...

1 comentário:

Chucky disse...

É com muito agrado que verifico que Espinho está de boa saúde e com cada vez mais e melhores actividades para miúdos e mais graúdos! Sobretudo, com manifesto interesse e adesão. Embora não me encontre a residir em Portugal/Espinho, fico radiante por ver que existem espaços, actividades e pessoas capazes para levarem avante projectos desta natureza! Parabéns pelo blog muito bem feito!! Serei visita assídua. Cumprimentos. Rui Couto